Visão Sistêmica do filme " O som do Coração"

 Como eu adoro filmes, citarei alguns filmes que podem ilustrar conteúdos sistêmicos para esclarecimento e reflexão desta abordagem apaixonante das constelações.

Quem assistiu ao filme “O Som do Coração” poderá perceber a bagagem sistêmica que a trama contém se prestar atenção em alguns detalhes marcantes.

O início do filme começa com a cena de um garoto num lar de crianças para adoção. Durante todo tempo, só ele ouvia uma música, como se fosse um chamado, uma certeza. Ele tinha a certeza de que o dia que ele aprendesse música, seus pais o encontrariam. Como ele tinha essa certeza, mesmo sendo caçoado pelos colegas? Por que ele agia diferente dos outros meninos do lar, que já tinham perdido a esperança de conhecerem seus pais?

Podemos chamar de inconsciente coletivo ou intuição, mas o fato é que nossa alma sempre tem uma percepção sobre a verdade, por mais escondida que ela possa estar, como os segredos de família, por exemplo.

Outra passagem marcante do filme é o encontro do casal, que se conhece numa noite, se atraem, ficam juntos de maneira casual. Duas pessoas completamente perdidas, emaranhadas, fugindo de si mesmas. Como explicar o que os atraiu?

Bert Hellinger - terapeuta alemão que descobriu as constelações sistêmicas - relata que quando um homem e uma mulher se atraem, frequentemente de modo irresistível, ou seja, como se fosse capturado por essa pessoa, não são somente dois indivíduos – o homem e a mulher, porque por detrás deste homem e desta mulher estão também seus pais, seus avós, seus irmãos e tudo que aconteceu em cada sistema familiar. Cada sistema aguarda outro sistema que talvez possa finalizar algo sem solução no passado, ou seja, na maior parte das vezes, um sistema contém a cura do outro.

No filme, após o casal se apaixonar perdidamente, esse amor é impedido pelo pai de Lyla, que a faz deixar o rapaz. É notável que a filha “carrega” o pai e que ele deposita nela todas as frustrações de sua viuvez, e a filha, por sua vez, é fiel a mãe, pagando o preço com sua infelicidade e desrespeitando a lei da hierarquia, ou seja, para que o pai não siga a mãe na morte, a filha faz tudo que ele quer para segurá-lo na vida.

Lyla engravida desse relacionamento relâmpago, mas o pai entrega o bebê da filha para adoção sem o seu consentimento após um acidente que a mesma sofre, dizendo à filha que ela perdeu o bebê. Porém, depois disso, é como se ela soubesse que uma parte dela estava faltando. Ela fica muito deprimida e abre mão inclusive de sua única fonte de prazer, que é tocar violoncelo e o pai dela adoece gravemente. O pai do bebê, Louis, sem ao menos saber que Lyla ficou grávida após o encontro, também abre mão da música boicotando sua felicidade e vivendo com uma tristeza profunda, como se estivesse lhe faltando algo.

É possível ver, no trabalho sistêmico, como muitos homens que não foram informados sobre uma gravidez, ou que tiveram seus bebês abortados sem seu conhecimento, sentem-se vazios sem nem saber que a gravidez existiu. Porém, a alma sempre sabe, o inconsciente sente.

Esse filme nos mostra as atrocidades que podemos cometer na vida em nome do amor, na tentativa de poupar sofrimento – o que na verdade, causa muito mais sofrimento e consequências terríveis para os envolvidos, pois a luta do sistema pedindo solução é implacável e atemporal, ou seja, não importa quantos anos se passaram, as consequências permanecem até que algo seja reparado, equilibrado.

Concluo refletindo que devemos procurar seguir o “som do nosso coração”, pois nosso inconsciente sempre sabe, a alma sabe e o sistema sempre pede solução, por isso, siga a “música interna” que ecoa dentro de você, crie coragem, olhe para seu sistema e se liberte para a vida! Você merece!

 

(Roberta Barsotti)

Constelação Familiar em Atibaia - Constelação Sistêmica em Atibaia - Roberta Barsotti - Musicoterapeuta Roberta Barsotti - Consteladora Sistêmica Roberta Barsotti - Workshops de Constelação Sistêmica em Atibaia -